quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Subjetividade das Gôndolas



O poeta não viaja em barcos,
ele aprecia a subjetividade das gôndolas.
Seus versos são d'um momento de fresh air.
Seu eu lírico se constrói no cantar do gondoleiro.

Do vespertino ao matutino se fez seu primeiro poema.
A criatura agora rege o desejo permitido do criar.
Seus dons a tecer a finitude do seu ser,
agora selam a atemporalidade do viver.

A garrafa a guardar o poema a amada dedicar,
não mais poderá desperdiçar a incerteza de sua Julieta o achar.
Boas novas enfim!
Seu corpo hibrido agora caminha para lua de mel.

Seus poemas não são interrompidos pela tinta a acabar,
pois em suas veias em seu dedo a ferir  prossegue até o fim.
Sua vida para se pode até um dia secar,
mas pelos seus versos á de continuar a vidas transformar.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Miserável homem que sou



  As vezes no silêncio da noite, a madrugada faz silêncio no meu eu, quando percebo que me encontro comigo tenho um choque, pois a realidade é a de não ser nada de tudo aquilo que me vendo e noto o quão miserável e dependente sou do meu Cristo. Sou resiliente em não deixar que Ele seja meu pastor, agindo por mim mesmo sou como um ovelha de rabo torcido que me jogo do precipício.

  Por vezes duvido da minha lã, nisso o motor da minha fé continue girando, girando e girando. Qual será meu espinho na carne? acho que sei grande parte dele! Percebi que o ser humano Paulo estava certo em fim, pois por vezes faço aquilo que não quero e aquilo que quero não o faço. Como será que meu amigo Davi se sentia a cada tropeço?

  Hoje é um daqueles dias que meus olhos deixaram de ser verdes de esperança, estão nublados e nem mesmo consigo ver quem sou e se existe alma em mim. Queria voltar a ser criança em meu coração, amar de forma pura, agir de forma espontânea, ser e não tentar parecer.

  Como é vivo que o que procede de dentro é o que contamina e não aquilo que lhe entra pela boca, passa pelo intestino e se caga. O meu eu Pinóquio, quase Jonas, ainda está em busca de ser um menino de verdade, quem sabe um dia me torne o Peter Pan e esteja apito para viver Terra do Nunca.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

#demimesmo


“Faço do meu eu lírico um esconderijo para me ver melhor do que realmente o sou.”

By.: Jônatas Ladir

Graça sobre Graça


  
  Hoje aqueles que se intitulam viver pelo evangelho e a serem discípulos de Jesus o chamado Cristo vivem a perseguir os homossexuais, tem em sua boca uma linda frase que dizem sem parar: “Amo o pecador, mas não o pecado”.

  Esse evangelho do qual leio e não sou grande conhecedor, mas que aprecio declara que o reino de Deus é para todos, que convida cada ser humano como ele o é no agora, que o sangue do Cristo o justifica e o liberta da condenação, que o único apto a julgar é Deus, que todos estão aptos a participar da ceia e de serem batizados, que todo ser humano deve ser servido como um rei, amado como Cristo o amou, que quem AMA CONHECE A DEUS e não o contrario, que convida a sentenciar a morte aquele que nunca pecou ou mesmo que convida sentenciar ao inferno aquele que se julga melhor, que Cristo veio não para os justos e sim para pecadores e doentes e assim por diante.

  Quando ainda me considerava um seguidor do movimento protestante evangélico do qual fui liberto pelo amor e misericórdia de Deus, sempre fui ensinado a fugir da aparência do mal e por revelação divina percebi que o que eu era para os olhos daquilo que essa tal igreja diz ser mundo seria literalmente o que me apresentado nas escolas dominicais, cultos, células e conversas informais. Então pela glória de Deus notei que o vinho novo estava posto em odre velho.

  Foi a mim ensinado pela bíblia que até as pedras podem clamar na falta de quem clame, que Deus pode usar até mesmo uma jumenta para falar conosco e foi então que percebi que o Senhor utiliza até mesmo dos tidos pastores, padres e de mim para falar. Por vezes nos vestimos por nossa escolha de Lúcifer e encarnamos em nos o desejo de ser Deus, julgamos e sentenciamos os homossexuais ao inferno, dizemos que se exortado a primeira vez no intimo, pela segunda vez com testemunhas e na terceira vez em frente a congregação e ele não quiser largar o pecado que comete, temos o direito e o dever de o expulsar da casa de Deus.

  Jesus sempre andou com os excluídos, pois os “justos” dele não precisavam, o Nazareno disse que estavam entrando primeiro pelas portas de seu reino as prostitutas e os cobradores de impostos, mas ainda o tido povo de Deus quer andar e participar daquilo que é santo a seus olhos, pois “me diga com quem andas e eu te direi quem és” e se esquecem de quando o Cristo foi chamado de beberrão, talvez a igreja de hoje dissesse ao Salvador para se empenhar para dar bom testemunho e fugir da aparência do mal.

   Creio que o pecado deve ser trazido sobre a luz com amor e acima de tudo com temor, lembrando que não somos juízes e nem Deus, que a aparência do mal é o próprio mal do qual você e eu nos deparamos quando olhamos no espelho ao escovar os dentes, me alegro em saber que a misericórdia de Deus graças a Ele não é a nossa e que em mim não existe nada de bom a não ser seu Espírito.

  Quem vos escreve é o pior dos pecadores, o mais podre e não merecedor no céu, mas que entente que pela graça de Deus e pelo sangue do Cordeiro que não há mais condenação sobre si independente do que seja e da escolha continua que faço. Sei que aqui temos um turbilhão de textos a serem despejados pelos advogados de Cristo, sendo cada palavra digitada considerada algo demoníaco por muitos, mas que Deus nos perdoe, pois não sabemos o que fazemos.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A vida é feita de pequenos detalhes.

  Hoje logo pela manhã tive o grande prazer de ler um texto que me despertou a curiosidade pelo seu titulo e imagem, ao lê-lo me senti parte da historia, vi os ambientes, visualize os personagem, senti até o clima daquele fim de tarde e é esse tipo de postagem que me dá gozo no coração.

  Resolvi postar aqui o texto do blogueiro Warley Ladir detentor do blog EM NOME DA PEDRA (http://emnomedapedra.blogspot.com.br), para minha alegria este cara é meu pai, meu grande amigo, confidente, conselheiro e irmão de fé.



"O céu cinzento anunciava que as chuvas continuariam a cair na minha cidade.

Já era fim de tarde, estava deitado com minha mulher debaixo de um edredom macio assistindo televisão.

A campanhinha toca quebrando a rotina, minha esposa atende, do lado de fora um homem dizendo querer falar comigo.

Ela pergunta seu nome e do que se trata, ele diz seu nome: Arquimedes, e diz também que queria me dar um presente.

Tentei me lembrar de quem era, mas pelo nome não me veio nada na lembrança.

Quando abri o portão, ali estava o jardineiro que um ano atrás cuidou do meu jardim. Lembrei-me logo.

Ele estava com uma camisa surrada, chapéu na cabeça, em seu pé a marca de um ferimento, me disse que havia pisado em um prego, assim, usava um tênis velho num pé, e chinelo com um pano amarrado noutro.

Tirou de sua sacola dois abacaxis lindos e vistosos, me entregou perguntando se eu gostava. Respondi que sim, emocionado por tal gesto, dizendo não precisar, ao que ele me falou:

Não me esqueci do senhor esse tempo todo, fiquei muito feliz pela botina e pela caixa de ferramentas que o senhor me deu naquele dia, vim para agradecer.

Os sentimentos borbulhavam dentro de mim com aquele gesto de gratidão, de algo que nem lembrava mais, e por ter sido tão pouco que lhe dera, mas aceitei alegremente.

Pedi que ele entrasse por uns instantes em minha casa, ele se esquivou dizendo estar indo para cuidar de um irmão doente.

Meu coração estava tão tocado com esse gesto, vendo aquele homem de 76 anos na minha frente, gente simples, sorriso fácil, tinha cheiro de pureza, igual quando cai água em terra seca...

Pedi novamente quase que forçando para que ele entrasse só um pouco na minha casa, que queria também lhe dar algo, ele aceitou. Colocamos a bicicleta na garagem e entramos.

Na garagem mesmo ele tirou um pacote da sacola com quatro dúzias de ovo, ele ficou em duvida se eu gostaria por se tratar de ovo caipira, eu peguei logo, fiz a maior festa, agradeci junto com minha esposa que também não deixou por menos, mostrou-se agradecida pelo belo presente.

Mostrei dois pequenos guarda roupa e um armário de cozinha que já estavam na garagem para dar para alguém, perguntei se ele aceitaria.

Ele gostou muito, mas vi que o transporte seria problema, intervi dizendo para aceitar que eu mesmo providenciaria o transporte. Na sua simplicidade sorriu, e agradeceu.

Pois bem, entramos para tomar um cafezinho, minha esposa preparou uns sanduíches e outras coisas para um pequeno lanche.

Conversamos, contamos histórias e rimos juntos enquanto partilhávamos do alimento. Momentos que tanto eu como Dulce aproveitamos ao máximo.

Não sei explicar, mas a pureza daquele homem, suas atitudes, seu semblante doce, mexeram comigo e com minha mulher. A atitude de compartilhar do pouco que possui para nos agradar, demonstrou valores de quem realmente sabe amar.

Ele se levantou, tinha que ir, seu irmão estava de cama e ia dormir com ele para lhe fazer companhia. Estava chovendo, mesmo assim disse que iria, eu queria levá-lo de carro, mas ele disse que iria de bicicleta mesmo.

Pedi que minha esposa pegasse no carro minha blusa de frio, e entreguei a ele. Ele ficou encabulado, mas insisti.

Já na rua lhe demos um abraço e vimos aquele senhor já de idade, tão gente boa indo embora.

Voltamos para dentro de casa, olhamos um para o outro, e simplesmente choramos.

Oramos juntos, agradecemos a Deus aquela visita tão maravilhosa, que trouxe a nós um sentimento tão profundo de amor.

A vida é feita de pequenos detalhes.

Simples assim..."

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

#eunoutro

"Todo camburão tem um pouco de navio negreiro"

By.: O Rappa


#demimesmo

"Não creio no tal Cristo Nazarento pregado do passado ao presente, mas no Cristo Nazareno que se fez homem em mim"

By.: Jônatas Ladir

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Os 20 em 52



  Este repertório musical surgiu no organizar de uma pilha de CD's, relembrando meus marcantes 20 anos de idade em praticamente 52 min, onde deixei para trás mais uma parte daquilo que me acompanha. 

Todo Azul do Mar


Flávio Venturini

“Tudo que eu fiz
Foi me confessar
Escravo do teu amor,
Livre para amar
Quando eu mergulhei
Fundo nesse olhar
Fui dono do mar azul
De todo azul do mar”

Eu Te Devoro


Djavan


"É um milagre,
Tudo que Deus criou
Pensando em você,
Fez a via-láctea
Fez os Dinossauros,
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu,
Sem contar os dias
Que me faz morrer,
Sem saber de ti
Jogado à Solidão,"

O Anjo Mais Velho


O Teatro Mágico

“O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente”
“Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar

Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia o verbo a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê”

Samba De Uma Nota Só


Tom Jobim


“Quanta gente existe por aí
Que fala fala e não diz nada
Ou quase nada
Já me utilizei de toda a escala
E no final não sobrou nada
Não deu em nada”


Depois de Nós


Engenheiros do Hawaii

 “Hoje o tempo escorre dos dedos da nossa mão
Ele não devolve o tempo perdido em vão
É um mensageiro das almas dos que virão ao mundo
Depois de nós”

Wave


Tom Jobim

“O resto é mar
É tudo que não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho à brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho...”
  

Camarada D'água


O Teatro Mágico

“Como pode um peixe vivo viver fora da água fria?
Como poderei viver
Como poderei viver
Sem a tua, sem a tua, sem a tua companhia?

Viva a tua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do teu valor

E amanheça brilhando mais forte
Que a estrela do norte
Que a noite entregou”

Samda de Verão


Caetano Veloso

“Você viu só que amor
Nunca vi coisa assim
E passou, nem parou
Mas olhou só pra mim
Se voltar vou atrás
Vou pedir, vou falar
Vou dizer que o amor
Foi feitinho pra dar”

Ana e o Mar


O Teatro Mágico

“Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as conchas mais belas
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar”

João e Maria


Chico Buarque

“Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?”

O Barquinho


Leila Pinheiro

“Volta do mar
Desmaia o sol
E o barquinho a deslizar
E a vontade de cantar
Céu tão azul
Ilhas do sul
E o barquinho é um coração
Deslizando na canção”

Águas de Março


Tom Jobim

“É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto”


O Que Será (A flor da Terra)


Chico Buarque

“O que será? Que Será?
Que vive nas idéias
Desses amantes
Que cantam os poetas
Mais delirantes
Que juram os profetas
Embriagados
Está na romaria
Dos mutilados
Está nas fantasias
Dos infelizes
Está no dia a dia
Das meretrizes
No plano dos bandidos
Dos desvalidos
Em todos os sentidos
Será, que será?
O que não tem decência
Nem nunca terá!
O que não tem censura
Nem nunca terá!
O que não faz sentido...”



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O Negro Nazareno


  
  Foi Portugal conquistado por 30 mil negros, sendo denominada Quilombo dos Palmares.

  O líder dessa república quilombina da liberdade quando ainda menino foi laçado feito bicho, forçado a largar sua natureza teve de aprender português e latim, foi sacramentado e agora convertido ajudava na celebração da missa.

  Negro insolente, ingrato e insistente, mesmo conhecendo a verdades de deus fugiu para comer o pão que o diabo amassou, de seus 15 a 20 anos se tornou um guerreiro nato lutando pelas trevas. Enquanto travava guerras pelos direitos de seu povo, percebeu que a corrupção de seus lideres iria afetar as conquistas daquele reino negro, então Zumbi silenciara? Não, destituiu aquele que se entregava aos sacramentos do bom deus trazidos pelos missionários europeus, encabeçando assim a liderança dos Palmares.

  Zumbi foi considerado imortal, ninguém conseguia o capturar e o derrotar, as forças das trevas fez dele um fantasma inatingível, mas seu combate terminara, foi apunhalado pelos seus e morto.

  Morto em 20 de março de 1695, esquartejado foi exposto em Olinda em praça publica no alto de um poste a cabeça do imortal Zumbi dos Palmares, para ser colocado como referencia da derrota dos não humanos negros, para entendimento de todos que ali acabava a luta.

  Em fim VITÓRIA!

  O erro foi cometido novamente, se esqueceram que este negro não era apenas mais um, ele tinha características do nazareno, este negro não negou sua natureza humana, ele sabia que deveria morrer no tempo certo para a libertação de seu povo e não poderia ser diferente se não se desse por meio da traição dos que com ele andavam. Seu sacramento foi via de um deus criado, mas por um Deus conhecido no olho daqueles que piscavam a cada nova chibatada ele viveu e morreu.

  Como guerreiro astuto, assim como Davi nada o parava, pois o Senhor estava ao seu lado e no balançar dos pés, nos rabos de arraias e nos mortais conseguiam se achegar mais perto ao nazareno. Aquele que era obrigado a ajudar a ministrar as missas, enfim colocou ao chão aquilo que chamavam “Casa de Deus” e declarou em sua morte o que já dito nas antigas escrituras.

  Não mais haverá acepção de pessoas, não mais iremos dominar sobre outro homem e não mais a correção pelo estralar do chicote, mas pelo vibrar das cordas vocais com palavras de amor.

  Sua morte se transformou em vida, ressuscitou enfim e pulsa forte agora dentro da aorta do nazarenos um sangue negro, com narinas fartas, de cabelos fortes como o seu povo. O zumzumzum se estalou até os dias de hoje e o branco se fez negro e Deus sempre o foi.

  Relembrados fomos enfim do nazareno que por nos morreu por não ter sua natureza e amor aceitas pelo povo, tendo sua morte se transformado em vida, dando aos seus a liberdade de serem eternos como aquele que os liderou.

  PS.: Toda luta de zumbi escrita como apoiada pelas trevas/diabo é na verdade o contrário, todo insulto aos negros é fruto das falas preconceituosas ditas na história, que demonstram total falta de humanidade e ignorância. Salve Zumbi, salve M. L. King, salve Nazareno!


domingo, 10 de fevereiro de 2013

A semelhança de Deus




  Nosso aprendizado se dá por meio da associação, correlacionamos nossos conhecimentos anteriores para aprendermos algo novo, trabalhamos no campo da comparação e assim nossa mente por meio da memória vai dando forma a coisas que não são palpáveis ainda, como Deus.

  Durante minha caminhada para entender a Deus, utilizei como norte a bíblia, nela expressa que o Senhor tem as características de ser:
  • Pai;
  • Misericordioso;
  • Amoroso;
  • Justo;
  • Uni potente;
  • Uni ciente;
  • Uni presente;

  Quando pensei em pai, lembrei-me daquele que biologicamente me gerou, daí percebi que Deus se fez Pai mesmo quando eu não O entendia, que cuidou de mim e me aceitou a todo momento, daí vi que meu pai de coração o Sr. Wanderley Santiago Calhau se assemelhava muito a Ele.

  Percebi que Deus me aceitou como sou, independente de circunstancia, e que se ajoelhou para poder me olhar nos olhos quando eu era ainda pequeno, demonstrando sua misericórdia, assim como meu companheiro Calhau.

  Lembro que a partir de meus 20 anos, algumas coisas mudaram tais como:

  1. Aprender a ligar o despertador, pois todas as manhãs meu avô me acordava dizendo “bom dia meu filho, vamos acordar?!”.
  2. Aprender a preparar meu café da manhã, pois amorosamente a mesa sempre esteve pronta apenas para que eu pudesse sentar e comer, até mesmo desfrutar de uma soneca tranquila sabendo que tudo estava no jeito.
  3. Fui obrigado a assistir o MG TV todos os dias para ter o resumo das noticias, porque antes meu avô me contava um resumo do que lido no jornal e me dava à coluna do Ivan Santos para ser lida.
  4. Tive que ter mais paciência com os coletivos, pois aquele que conduzia a Belina sempre queria me servir.
  5. Tive economia forçada de saliva, não mais precisava gritar da parte de baixo da escada “Oi vó, oi vô”, pois agora só existe a santa da minha avó como ele mesmo sempre falava.

  Nisso tudo e muito mais, vi o quanto Deus é amoroso, quanto ele é acima de nossas expectativas, de nossas limitações, aprendendo que para conhecer o amor, basta apenas amar as pessoas, os animais e a natureza como meu Pai o faz e meu avô o fazia.

  Cada pessoa tem seus bordões, frases de impacto e uma das que meu amigo Calhau sempre dizia é que “honestidade não é qualidade e sim obrigação”. Seu senso de justiça se aplicava a todo momento, quando me alterava com alguém mais velho mesmo certo me exortava, quando não passava a mão em minha cabeça somente porque me amava, ele tratava justiça com amor, mas não deixava de por na luz meu erro, assim como Aquele que me amou antes da fundação do mundo.

  Engraçado como o sábio de meu avô tinha o poder de me tranquilizar quando aflito, de me alegrar quando triste, de fazer calar quando queria berrar, de demonstrar sua autoridade real sobre minha vida, assim como meu Senhor.

  Como pode uma pessoa parecer saber tudo o que se passa em seu coração, como está sua alma, se fez algo errado na rua, mas de forma mágica parecia que meu avô sempre sabia e Deus de forma completa o sabe.

  O meu herói Calhau era uni presente acredita?! Ainda hoje o é! Quantas vezes quando minha boca se enche de veneno, sua lembrança bordada minha memória me faz não ferir alguém, quantas vezes me deparo como uma insegurança e me atento para suas palavras de sabedoria, quantas vezes deixei de ser mal e escolhi ser bom, pois ele estava ali comigo e por amor e respeito dei múltiplos passos para trás para não correr o risco de desapontá-lo, como meu Herói que me salvou da morte eterna não fez diferente.

  Obrigado Deus por colocar em meu avô cada uma dessas características para poder te abraçar nele, para sentir a falta de estar com Você assim como morro de saudade de meu avô, obrigado por estar ao meu lado quando precisei e continuar quando já podia sorrir.

  Meu avô, pai, amigo, companheiro, confidente fiel e meu irmão de fé, sua falta se faz presente em meu corpo como um todo, te vejo em todo lugar, te sinto dentro de mim, tenho a alegria e a honra em te imitar mesmo tendo personalidade diferente, pois assim me achego mais perto de Deus, pois você é mais próximo de mim do que Paulo da bíblia.

  Com esse desabafo queria honrar meu avô e meu Deus que é tudo isso de forma potencializada e inalcançável, mas que limitadamente não consigo mensurar fielmente o tamanho que meu Senhor representa. Te amo verdadeiramente meu Vozão e a você muito mais meu Deus.

#eunoutro


"Leio a Bíblia, creio que seus princípios produzem vida eterna, mas não leio literalmente, não tenho mãos e olhos suficientes para serem arrancados."

By.: Villy Fomin


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Manhã há de ser outro dia de João e a Bailarina.



Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De devanear.

Um dia eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz.

E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país.

No teu corpo eu era feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem

Agora o meu coração você pega, esfrega
Nega, mas não lava.
Nele você brincou
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e me mata
Quando a noite vem

Mas apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia

E no esbanjar da poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear,
O dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E nos músculos exaustos
Do teu antigo abraço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de verdade.

A cicatriz
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva.

Que me retalha em postas
Dor que se mostra
Quando a noite vem.

Agora era fatal
Que o faz de conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim.

Mas apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia.



PS.:  Mescla de composições modificadas de Chico Buarque.