terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Manhã há de ser outro dia de João e a Bailarina.



Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De devanear.

Um dia eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz.

E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país.

No teu corpo eu era feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem

Agora o meu coração você pega, esfrega
Nega, mas não lava.
Nele você brincou
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e me mata
Quando a noite vem

Mas apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia

E no esbanjar da poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear,
O dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E nos músculos exaustos
Do teu antigo abraço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de verdade.

A cicatriz
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva.

Que me retalha em postas
Dor que se mostra
Quando a noite vem.

Agora era fatal
Que o faz de conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim.

Mas apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia.



PS.:  Mescla de composições modificadas de Chico Buarque.






Um comentário:

Anônimo disse...
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