Hoje logo pela manhã tive o grande prazer de ler um texto que me despertou a curiosidade pelo seu titulo e imagem, ao lê-lo me senti parte da historia, vi os ambientes, visualize os personagem, senti até o clima daquele fim de tarde e é esse tipo de postagem que me dá gozo no coração.
Resolvi postar aqui o texto do blogueiro Warley Ladir detentor do blog EM NOME DA PEDRA (http://emnomedapedra.blogspot.com.br), para minha alegria este cara é meu pai, meu grande amigo, confidente, conselheiro e irmão de fé.
"O céu cinzento anunciava que as chuvas continuariam a cair na minha
cidade.
Já era fim de tarde, estava deitado com minha
mulher debaixo de um edredom macio assistindo televisão.
A campanhinha toca quebrando a rotina, minha esposa
atende, do lado de fora um homem dizendo querer falar comigo.
Ela pergunta seu nome e do que se trata, ele diz
seu nome: Arquimedes, e diz também que queria me dar um presente.
Tentei me lembrar de quem era, mas pelo nome não me
veio nada na lembrança.
Quando abri o portão, ali estava o jardineiro que
um ano atrás cuidou do meu jardim. Lembrei-me logo.
Ele estava com uma camisa surrada, chapéu na
cabeça, em seu pé a marca de um ferimento, me disse que havia pisado em um
prego, assim, usava um tênis velho num pé, e chinelo com um pano amarrado
noutro.
Tirou de sua sacola dois abacaxis lindos e
vistosos, me entregou perguntando se eu gostava. Respondi que sim, emocionado
por tal gesto, dizendo não precisar, ao que ele me falou:
Não me esqueci do senhor esse tempo todo, fiquei
muito feliz pela botina e pela caixa de ferramentas que o senhor me deu naquele
dia, vim para agradecer.
Os sentimentos borbulhavam dentro de mim com aquele
gesto de gratidão, de algo que nem lembrava mais, e por ter sido tão pouco que
lhe dera, mas aceitei alegremente.
Pedi que ele entrasse por uns instantes em minha
casa, ele se esquivou dizendo estar indo para cuidar de um irmão doente.
Meu coração estava tão tocado com esse gesto, vendo
aquele homem de 76 anos na minha frente, gente simples, sorriso fácil, tinha
cheiro de pureza, igual quando cai água em terra seca...
Pedi novamente quase que forçando para que ele
entrasse só um pouco na minha casa, que queria também lhe dar algo, ele
aceitou. Colocamos a bicicleta na garagem e entramos.
Na garagem mesmo ele tirou um pacote da sacola com
quatro dúzias de ovo, ele ficou em duvida se eu gostaria por se tratar de ovo
caipira, eu peguei logo, fiz a maior festa, agradeci junto com minha esposa que
também não deixou por menos, mostrou-se agradecida pelo belo presente.
Mostrei dois pequenos guarda roupa e um armário de
cozinha que já estavam na garagem para dar para alguém, perguntei se ele
aceitaria.
Ele gostou muito, mas vi que o transporte seria
problema, intervi dizendo para aceitar que eu mesmo providenciaria o
transporte. Na sua simplicidade sorriu, e agradeceu.
Pois bem, entramos para tomar um cafezinho, minha
esposa preparou uns sanduíches e outras coisas para um pequeno lanche.
Conversamos, contamos histórias e rimos juntos
enquanto partilhávamos do alimento. Momentos que tanto eu como Dulce
aproveitamos ao máximo.
Não sei explicar, mas a pureza daquele homem, suas
atitudes, seu semblante doce, mexeram comigo e com minha mulher. A atitude de
compartilhar do pouco que possui para nos agradar, demonstrou valores de quem
realmente sabe amar.
Ele se levantou, tinha que ir, seu irmão estava de
cama e ia dormir com ele para lhe fazer companhia. Estava chovendo, mesmo assim
disse que iria, eu queria levá-lo de carro, mas ele disse que iria de bicicleta
mesmo.
Pedi que minha esposa pegasse no carro minha blusa
de frio, e entreguei a ele. Ele ficou encabulado, mas insisti.
Já na rua lhe demos um abraço e vimos aquele senhor
já de idade, tão gente boa indo embora.
Voltamos para dentro de casa, olhamos um para o
outro, e simplesmente choramos.
Oramos juntos, agradecemos a Deus aquela visita tão
maravilhosa, que trouxe a nós um sentimento tão profundo de amor.
A vida é feita de pequenos detalhes.
Simples assim..."

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